Ficção científica vampírica neo-zelandesa de 2006, com premissa bizarríssima, e que inacreditavelmente só descobri agora!
Numa realidade alternativa dieselpunk, humanos e vampiros convivem em perfeita harmonia.

É algo meio "Blade Runner e Capitão Sky enfrentam a Bússola de Ouro".
Na verdade, os humanos acreditam que os vampiros são anjos enviados por Deus para ajudá-los, e os vampiros formam o alto clero de uma religião toda organizada em volta deles, e vivem de (hihihihi) doações voluntárias de sangue dos humanos.

Mas os padres-vampiros começam a parecer não tão santinhos assim quando vemos que eles têm avançados aparelhos mezzo-medievais, mezzo-scifi de tortura sadomasoquista.
Como eu estava comentando no último nerdmeeting, cada autor de vampiros inventa os vampiros do jeito que quer, mesmo porque não existe um mito original, canônico dos vampiros, mas sim um monte de lendas diferentes de várias culturas diferentes (tendemos a pensar mais em lendas do Leste Europeu, mas existem lendas vampiróides em lugares bem diferentes, como a China e mesmo América Latina) que começaram a ser amalgamadas e viajadas na maionese por escritores ocidentais a partir do Século XIX. Por isso eu tenho uma reação de "ah, não, de novo!" quando ouço alguém dizendo que a Stephanie Meyer "perverteu a lenda dos vampiros". :)

Incrivelmente, todas as criaturas acima são chamadas de "vampiros".
Por isso, acho bom delinear um pouquinho como são os vampiros no filme. São vampiros inteiramente "científicos", sem nada de sobrenatural - aparecem em espelhos, andam no sol, reagem normalmente a cruzes, etc. Parecem ser simplesmente o início de um novo estágio da evolução humana - nascem de mães humanas aleatórias, precisam de sangue humano para viver (e têm presas), são muito mais longevos que humanos (mas envelhecem) e têm força, agilidade e capacidade de regeneração sobre-humanas (mas sem exageros inobserváveis no mundo animal). Mas o mais curioso é que são todos homens - sugerindo que a mutação que os gerou é localizada no cromossomo Y - e assim o clero vampírico é todo formado de padres com dentinhos estranhos.

Eu ansiosamente aguardei a aparição de bispos e cardeais vampiros e também, é claro, do Vampiro Papal, mas acho que eles só tinham verba para roupinhas pretas.
Por quatrocentos anos, vampiros e humanos convivem pacificamente, mas então algo acontece de errado - um dos vampiros, até então um religioso exemplar, pira completamente e sai por aí matando humanos, bebendo todo o sangue deles. Ao mesmo tempo, uma estranha doença começa a se espalhar entre os humanos, transformando-os em seres assustadores zumbizóides. O Irmão Silas, o vampiro encarregado de recapturar o outro Irmão que pirou, vai então descobrindo que embaixo desse angu todo tem caroço, e que a coexistência de humanos e vampiros, e talvez a sobrevivência das duas espécies, está ameaçada...
O filme é talvez simplinho demais e também termina rápido demais, dando a impressão de que a historinha deveria ter se desenrolado mais adiante. Mas quem se importa? Adorei assim mesmo! O climão dieselpunk e a idéia absurda dos Padres Vampiros Mutantes Ninja já valem o filme!

E o mais importante: onde eu consigo uma dessas maravilhosas TVs analógicas preto-e-brancas com tela circular de 10 polegadas?
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