Sábado, Setembro 20, 2008

Wall-E: A Nova Merda Mais Superestimada da História do Cinema




Conforme vemos por esta colagem tosca, no futuro a Apple fabricará robôs, e o símbolo da maçã estilizada será substituído pelo de uma mudinha estilizada.





Pronto, já que 100% das pessoas que falam desse filme falam bem (e não só bem, dizem que é lindo, maravilhoso, perfeito, um divisor de águas da Sétima Arte, etc, etc) sinto-me na obrigação moral de vestir o chapéu da Voz Dissidente Solitária e Irritante e dizer: "Wall-E" é chato, bobo e feio. Hum, pensando bem, estou usando eufemismos: não foi só chato, bobo e feio, mas doeu de tão ruim e me deixou com ódio de ter assistido. Tanto que este post será uma longa e agônica sessão de rant contra o filme, que achei melhor até dividir em seções para analisar os horrores do filme de forma mais particularizada:

A Bobeira de Wall-E

Antes de começar a falar da parte do "bobo" do "chato, bobo e feio", primeiro é melhor falar de horizontes de expectativas. Se Wall-E se vendesse como um filme tosco, com uns elementos sem pé nem cabeça e que não deve ser levado a sério, eu provavelmente teria gostado, como gostei do recente The Mutant Chronicles e gosto dos desenhos dos Superamigos. Se Wall-E se vendesse como um filme infantil e ponto final, eu também provelmente teria gostado. Mas nãaaaaaoooo... A Pixar tem o defeito de ser pretensiosa, cheia de merda, e hypear seus filmes como diversões inteligentes e sofisticadas, que os adultos também vão gostar. Então, o filme é insuportavelmente bobo analisado por esse horizonte de expectativa que eles mesmos colocaram.

Umas coisas que li sobre o filme antes dele estreiar me deixaram com mêda do roteiro (não obstante o hype da mídia sobre como o roteiro era "inteligente"), de modo que não tive coragem de ver no cinema. Mas agora que está disponível a baixo custo nos lugares usuais, resolvi dar o benefício da dúvida com as desculpas de mente aberta de sempre: ah, a idéia central do roteiro pode ser tosca, mas com um bom desenvolvimento mesmo roteiros toscos dão filmes legais, etc. Bom, não foi o caso do "Wall-E": o enredo tosco foi desenvolvido de forma MAIS TOSCA AINDA. A suspenção da descrença é ZERO, eles usam de todos os pontos de partida possíveis para catástrofes ecológicas logo o Mito da Terra Coberta de Lixo, que até uma criança de dez anos consegue detonar com dados concretos e mais umas poucas divisões e multiplicações! E se eles partissem de suposições absurdas mas ao menos fossem coerentes consigo mesmos, tipo os filmes de bichinhos falantes, vá lá; mas não, Wall-E contradiz suas próprias premissas em mais de um ponto. (Por exemplo, em algum lugar explicam que os humanos viraram monstros obesos com esqueletos deformados por causa de séculos vivendo num ambiente de microgravidade. Mas fica claro em inúmeras cenas que a nave-arca onde eles estão *tem* gravidade artificial a la Enterprise, o que aliás foi uma extrema falta de criatividade dos animadores de não aproveitar o uso de CG e usar falta de gravidade à vontade... Ah, sim, e o roteirista de qualquer forma tirou esse negócio de "obesidade espacial' do cu, porque na verdade astronautas em microgravidade têm problema é de *emagrecer* demais. A redistribuição de líquidos pelo corpo fode o olfato e o paladar, e o metabolismo basal é baixíssimo, e tudo isso destrói o apetite e faz com que os astronautas tendam a comer menos do que deveriam. De fato, imagino que quando o turismo espacial estiver mais desenvolvido spas orbitais serão tudo de bom para modelos anoréxicas e grupos do tipo.) Finalmente, se o filme fosse baseado em premissas absurdas, incoerente consigo mesmo mas não se levasse a sério, desceria na boa, mas como já disse não foi o caso.

A Feiúra de Wall-E

"Chato, bobo e feio", então vamos à parte do "feio". Ok, para falar a verdade feio exatamente não é, porque como todo filme de crianças (e Wall-E é infantil MESMO, sorry mas essa bullshit de ser uma filme que agrada adultos não desce) é cheio de coisinhas coloridas (preferencialmente redondas) se mexendo o tempo todo, o que é... bonitinho. Mas só isso. Visualmente o filme não tem nada de revolucionário e nem mesmo de original. Aliás, tem uma tendência a usar soluções pré-fabricadas convencionais, às vezes de forma que até beira o plágio. Quando vi a primeira imagem do personagem título Wall-E pensei cinicamente "Cavalheiros, contemplem! Uma versão robótica e caixótica do ET do Spielberg!"; outros enxergaram um claro reaproveitamento do Johnny Five, direto dos "Saudosos Anos 80". É claro que o 99,999% da Humanidade que gostou do filme vai dizer que isso que vejo como plagiarismo visual é uma forma de "homenagem" a essas outras obras. Mas homenagem para mim tem de ser sutil, senão vira paródia. Aliás, o filme tenta fazer uma "homenagem" a 2001 na mesma linha, mas fica tão explícita e forçada que mais parece parte de uma paródia tosca como "Meet the Spartans" ou então "Superhero Movie", e não algo que eu esperaria ver em um filme que se vende como "sofisticado e inteligente".





A Chatura de Wall-E

Finalmente, a parte do "chato". Talvez porque notei todos os defeitos acima (e vários outros que estou sem saco de descrever), no final o filme já estava me dando dor de cabeça, e aquela sensação de "quando é que essa merda vai acabar?". (Incrivelmente, conferi agora e o filme tem só 98 minutos, um tempo curto bem dimensionado para filme infantil, de modo às crianças não começarem a fazer pirraça e pedir para sair do cinema. *Mas* psicologicamente me pareceu que era algo com mais de duas horas.) Se eu não estivesse totalmente sem nada mais para ver na hora, é provável que eu tivesse desistido de assistir no meio. Ultimamente minha paciência com filmes ruins está muito baixa...

Para não dizer que não falei de Flores

Porém, consegui enxergar uma virtude notável em "Wall-E". Wall-E é uma OBRA PRIMA COMERCIAL, maravilhosamente desenhado para mesmerizar completamente os seguintes Grupos Hipnotizáveis de pessoas, que torna-se-ão graças à lavagem cerebral completamente imunes aos defeitos do filme e ficarão felicíssimos em despejarem seu dinheiro em ingressos de cinema, compras de DVD e itens de merchandising:

Grupo Hipnotizável 1 - Crianças: como já disse, tem coisinhas coloridas e redondas pulando e dançando o tempo todo. Se crianças podem passar horas sem fim vendo Cocoricó e Backyardigans, Wall-E é maravilhoso para elas. A propósito, a quase ausência de diálogos do filme é vendida como uma "sofisticação inteligente de economia narrativa", mas a verdade é que, como o roteiro pode ser resumido em duas ou três linhas de texto, ninguém precisava falar muita coisa mesmo; e além disso conversas demoradas chateariam as criancinhas. Em qualquer episódios dos Teletubbies também existe uma quase-ausência de diálogo pelo mesmo motivo, e não vejo as pessoas falando que é "um uso inteligente e sofisticado de economia narrativa"...

Grupo Hipnotizável 2 - Pessoas sem noções rudimentares de matemática e ciência: que podem acreditar piamente, sem nenhum questionamento, no mito da "Terra coberta de lixo" que o filme usa de premissa. Ah, e também no mito do "fim da água", que o filme parece também explorar com inexplicáveis imagens de rios e mares secos.

Grupo Hipnotizável 3 - Hippies: o filme tem uma mensagem toda bonitinha de respeito e preservação do ambiente (ainda que usando argumentos monstruosamente falaciosos e uma desonestidade intelectual gritante para passar essa mensagem) e é um hit instantâneo para pessoas mais naturebas e com mais preocupações ambientais. Porém, dependendo do extremismo do hippie, a hipnose para este grupo pode sair pela culatra. É que no final do filme os humanos recolonizam a Terra (não importando o quão completamente irracional é uma civilização tecno-industrial trocar os recursos ilimitados de energia e matéria-prima do espaço pela escassez miserenta de um único planeta; mas como eu disse acima o filme é uma bobeira sem fim mesmo), e os hippies que querem uma terra livre de gente com certeza se contorceram de ódio com essa horrenda re-profanação de Gaia, já que com certeza os humanos eventualmente chegariam nos mesmos problemas de superpopulação, "estupro de recursos" como eles dizem, destruição de habitats, extinção de espécies, etc. Outro problema acontece com os hippies vegans, já que na desapresentação do filme aparecem humanos pescando, mostrando que o ciclo de genocídio carnívoro e sanguinolento de animais recomeçou. Mas provavelmente os marketeiros da Pixar não estavam muito preocupados com esses extremos da distribuição de hippies, porque eles possivelmente não têm filhos (já que filhos emitem muito carbono e são um horrível pecado contra Gaia) e assim a probabilidade de levarem os meninos para ver um filme, repito, INFANTIL, é pequena.

Grupo Hipnotizável 4 - Comunistas: o filme diz que a destruição da Terra foi culpa das Megacorporações Malvadas e do Consumismo Sem Alma do Capitalismo Decadente. Não, não importa que a Pixar seja uma empresa bilionária que só usou o clichê da corporação malvada porque sabe que uma parte do público gosta, nem que a Pixar tenha lançado o filme junto com a Disney, que é muito mais bilionária ainda, e nem que o filme seja recheado com merchandising. (A propósito, não por acaso aparece um iPod no filme e o Wall-E faz barulhinho de Mac durante o boot: o Steve Jobs, da Apple - mais uma corporação multibilionária - é um dos fundadores da Pixar. Alguém pode desconfiar mesmo que o dedo do Campo de Distorção de Realidade está num filme que todo mundo adora apesar de tão ruim.) O fim justifica os meios, e o público comunista vai ficar feliz de as corporações malvadas mostrarem como são malvadas mesmo que seja só para continuar ganhar mais dinheiro às custas dos pobres proletários que pagam ingresso e compram DVDs com as esmolinhas que a Mais-Valia deixou para eles. A propósito, o fato das corporações malvadas manipularem a inveja e frustração de "eles têm mais dinheiro que eu, logo eu odeio eles" no público é só mais uma demonstração de como elas são malvadas ou, no mínimo, oportunistas! Uma única ressalva, porém, é que durante dois segundos aparece uma BANDEIRA AMERICANA no filme, e para grande parte dos comunistas isso vai ser uma PROVA INCONTESTÁVEL de que o filme é só mais uma lavagem cerebral midiática feita para promover o imperialismo yankee. (Se você, leitor, acha que eu estou exagerando, saiba que presenciei um comuna dando exatamente esse tipo de faniquito porque no trailer do Watchmen durante frações de segundo aparece uma bandeira americana. Ah, sim, e estou tendo de explicar isso numa semana em que o Chávez expulsa um ativista de direitos humanos crítico do Bush dizendo que era um "agente do imperialismo americano". Para os radicalismos, tanto de esquerda quanto de direita, não existem limites de ridículo.)

Grupo Hipnotizável 5 - Pessoas thenthíveis: mesmo a pessoa mais inteligente, culta, ambientalmente pragmática e direitista do mundo pode ainda assim cair vítima de "Wall-E", desde que tenha coração mole. Os criadores do filme tiveram o cuidado de, a cada cinco minutos (ou menos?) colocar um Close de Robô Fazendo Cara de Tristinho. Embora esse recurso seja repetido à exaustão, sempre vai comover as pessoas thenthíveis, que vão fazer "aaaaaaawwww" como se estivessem vendo uma fotinha de Cute Overload, entrar no terrível Estado de Mesmerização Por Fofice, e ignorar todos os defeitos do filme.

Contemplem a beleza de engenharia marketeira disso! Unidos, os grupos acima devem dar a Humanidade quase inteira! Só o Grupo Hipnotizável 2 já deve dar mais de 90% das pessoas!

Mas porque a hipnose não funcionou comigo? Algumas pessoas podem raciocinar meio que com falácias ad hominem e pensar que não gostei do filme porque é meio diametralmente oposto a alguns de meus alinhamentos ideológicos. (Haja vista os itens 3 e 4 da lista acima.) Mas eu gosto de filmes infinitamente mais hippies e/ou comunas como, por exemplo, "Final Fantasy: The Spirits Within" e "Jesus Cristo Superstar". A diferença deles para Wall-E é que eles não são chatos, bobos e feios! (Hum, tá bom, admito que Jesus Cristo Superstar é feio sim, com aquele monte de gente suja, esfarrapada e piolhenta.)

Outras pessoas podem se questionar como é que não caio no Grupo Hipnotizável 5, já que assino Cute Overload, gosto de gatos e cuido de filhotinhos de pombo abandonados. O caso é que, toda vez que via o Wall-E se fazendo de coitado, minha mente de engenheiro falava mais alto, e eu só conseguia achar um erro HORROROSO de projeto dar emoções a um robô cuja única função era compactar e empilhar lixo!!! Quando emoções casam com a função do robô, igual o David do A.I., tudo bem, mas emoções para compactar lixo?!? Pelamordedeus! E vai piorando com o passar do filme, quando vemos que TODOS os robôs têm emoções desnecessárias (e prejudiciais), até o robô cuja única função é limpar o chão. Aliás existem hoje em dia aqueles Roomba Robots cuja única função é limpar o chão, que vendem igual água, mas se eles manifestassem emoções seriam um fracasso de vendas. "Não, não vou limpar o chão hoje, estou deprimido. A propósito, você é um humano escravocrata sem coração!". Pelo mesmo motivo, aquele Clippy irritante, que se esforçava para parecer "emocional", desapareceu de versões mais recentes do Office.

Aquela melancolia autopiedosa do Wall-E me deu tanta irca que no final entrei em júbilo, quando pensei que ele tinha sido reformatado e finalmente virado um robô funcional que compacta e empilha lixo em vez de gastar tempo e energia colecionando quinquilharias, brincando com baratas e cortejando platonicamente roboas da Apple. Mas minha felicidade e a possibilidade do filme se redimir duraram pouco: a Pixar opta pelo final superfeliz e supermelado (que opção 'inteligente e sofisticada", não?) e o Wall-E volta a ser a coisa insuportável apresentada ao longo do filme.

A propósito, já que falei no final superfeliz e supermelado, vou chutar o balde e ir para o grande final de "pronto, falei": a Pixar é a Disney piorada. Eles conseguiram a proeza de fazerem filmes ainda mais infantis e mais água-com-açúcar que os da Disney. Ah, você é um fanboy de Pixar e não acredita? Então vamos a mais uma listinha, a de deficiências da Pixar comparadas com filmes da Disney:

Completa ausência de sangue: diga um filme da Pixar com o final sangrento da Bela Adormecida, ou com uma cena que chega a ser gore como a do Hércules lutando contra a Hidra.

Censura de eventos traumáticos: diga um filme da Pixar com uma cena que traumatizou uma geração inteira, e que deixou crianças chorando histericamente dentro do cinema, igual a morte da mãe do Bambi ou do pai do Simba.

Personagens completamente assexuados: diga um filme da Pixar que tenha um personagem nitidamente sexualizado como o Tarzan da Disney, que anda quase pelado o filme inteiro (e não é uma nudez infantil de Mogli, é uma coisa mais G Magazine, inclusive com nádegas aparecendo um pouco) e chega até a olhar com nítido interesse o que existe embaixo da saia da Jane; ou um personagem como o Juiz Frolo do Corcunda de Notre Dame, que propõe à Cigana Esmeralda salvá-la da fogueira se ela der para ele.

Vilões sem sal nem açúcar: possivelmente a pior deficiência da Pixar. Os vilões da Disney dariam medo EM ADULTOS se existissem de verdade, porque são nitidamente psicopatas sádicos - mesmo. O já mencionado Juiz Frolo em uma das cenas do Corcunda diz a um torturador para não inflingir dor à vítima o tempo todo, pois ela poderia se acostumar. (Não vemos nem o torturador nem a vítima, só ouvimos os gritos e gemidos desta e vemos umas sombras indistintas na parede.) A Malévola da Bela Adormecida por sua vez tem uma cena de tortura mental digna do Dr. Lecter, quando ela explica com imagens ao príncipe acorrentado na sua masmorra como ela vai libertá-lo sim, mas só quando ele estiver velho e decrépito, só para ela ter o prazer de ver ele finalmente chegar até a Bela e encontrá-la bela, jovem, gloriosa, pura e *eternamente virgem* em seu sono imortal sem fim. A Rainha Malvada da Branca de Neve produz uma expressão de pura perversão quando abre a caixinha com o suposto coração arrancado da Branca; mais tarde, ela, tão vaidosa, paradoxalmente se submete a uma metamorfose horrenda, agônica e nojenta, sacrificando sua juventude e beleza (não fica claro se de forma reversível) só para satisfazer seu ódio mortal contra a branca de Neve. Já os vilões da Pixar... Puta que pariu, em alguns filmes deles é até difícil lembrar que existe um "antagonista" (nem vou chamar de vilão). Os Pixar Fanboys provavelmente vão alegar que isso é um sinal da grandeza moral da Pixar, que abdicou de maniqueísmos, mas eu rebato dizendo que deixar uma historinha sem um conflito intenso é meio caminho andado para fazer uma historinha desinteressante.

Enfim, julgando pelo que vi até hoje, a Pixar faz filmes orientados por correção política e por um "think of the children" travestido de progressismo. Pode ser que essas deficiências sejam só um problema amostral, afinal a Disney é muito mais antiga e já fez muito mais desenhos. Mas até prova em contrário o único filme da Pixar que gostei *mesmo* foi Os Incríveis, que funciona maravilhosamente como comédia e paródia ( e acho realmente inteligente) e consegue ser muito bom mesmo se encaixando em cada um dos defeitos acima. De qualquer forma, depois da experiência tenebrosa de ver Wall-E, temo que nunca mais vou ter coragem de ver nada da Pixar.

A propósito, este post não vai ter minha tradicional galeria de imagens com legendas de xistes jocosos. Eu *não quero* ver nada desse filme de novo, já foi um sacrifício pegar as imagens acima. Em vez disso, vou finalizar com uma imagem de outro filme, o The Cry, mostrando metaforicamente como me senti depois de ver Wall-E.



7 comentários:

Kenji disse...

é sempre interessante ver um post analisando o filme sobre uma ótica mais crítica ;-)

mas eu acho interessante pq quando saiu o filme, uma amiga minha (adulta, formada, profissional competente) veio me falar toda empolgada da "crítica social" que tinha no fim do filme, que ela tinha achado o máximo e tal.

o fato é que hoje em dia, as pessoas estão... como eu poderia dizer... menos informadas. Ou informadas de forma mais rasa. Prá não dizer que a educação do Brasil caiu a tal nível que wall-e, para a geração atual, acaba tendo o valor de "todos os homens do presidente" da "nossa" época.

eu gostei de wall-e pq fui ver como fábula infantil, que é o que o filme de fato é. Tentar extrair dele algum cunho social ou ecológico significativo realmente é abusar da inteligência do espectador.

mas convenhamos, a inteligência do espectador tem só decaído. E meu medo é que um dia as pessoas inteligentes sejam discriminadas como hoje são os fumantes...

:-(

CyntiaBeltrão disse...

Omni, seu insensível, eu gosto de Cocoricó, viu?!

Vou assistir ao filme pra poder comentar depois.

Lúcio disse...

@ Cyntia:
Eu também gostei do pouco de Cocoricó que já vi na casa de vocês, inclusive porque não tem a pretensao de ser algo além de programa para crianças! :) Ah, e a propósito acho que o Max deve gostar do Wall-E!

@ Kenji:
Mas é claro que existe crítica social no final de Wall-E, o levante dos robôs "defeituosos" serve para mostrar como os padrões de perfeição massificados e vendidos pela mídia são relativos! Aliás a Pixar sempre procurou ir contra essas ditaduras estéticas, por exemplo mostrando um peixinho de talidomida no Procurando Nemo!

(Ok, estou brincando. :)

A bem da verdade, acho que o Wall-E foi ultra-hypeado pela mídia e críticos, mas se for para pegar um filme desse ano que eu senti que *o público* achou um "todos os homens do presidente" do nosso tempo, acho que casa melhor o The Dark Knight - que por sinal eu gostei, achei que correspondeu ao hype.

Kenji disse...

foi legal vc citar o nemo, pq dá prá ver claramente em qual direção a pixar resolveu ir com wall-e, se comparar os dois.

compare os tipos de humor de cada um prá vc ver como os públicos-alvos são diferentes

enquanto dá disse...

Gente, Omni, que sensacional hahaha
Eu não vi o filme porque tinha o meio pé atrás. Vou aguardar o DVD pra dar minha opinião.

Mirna disse...

Após assistir o filme, joguei no Google: "Wall-e é chato" e, PIMBA, caí aqui. Parabéns pelas considerações! Ufa... Ainda bem que mais gente concorda comigo!

E, só pra completar, queria deixar aqui meu depoimento sobre o que mais irritou: Wall-e é MALA. Se grudou na robozinha e nao largava mais... Nao a respeitou, foi insistente e, mais uma vez, MA-LA. Conclusão... No final ela ficou com ele por pena "oh, coitadinho... fez tudo isso por mim?!". Falso, muito falso.

Obrigada pela oportunidade... Precisava desabafar hauhauahuahuahuahua

Anônimo disse...

"quando vemos que TODOS os robôs têm emoções desnecessárias (e prejudiciais), até o robô cuja única função é limpar o chão"
como você disse, é um filme infanil, deve-se relevar certos 'detalhes' e tomar como licença poética, oras.
os robôs do filme devem se parecer com humanos e ter emoções para que os humanos possam se identificar com eles durante o filme.
eu gostei de wall-e na parte do 'bonitinho', e acho que o romance entre os robôs não algo muito interessante pra crianças...
quanto à parte do ambientalismo, é uma bela mensagem para os dias sociais, apesar da gordura espacial e da 'Terra coberta de lixo'.
é um filme bom, mas realmente não para se levar à sério.